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Duplicata eletrônica e as alterações no mercado de crédito

Quando a lei muda e a estratégia não acompanha, quem perde espaço é a empresa. Em momentos de transformação regulatória, a diferença entre capturar oportunidades e apenas “cumprir regras” está no pensamento estratégico. 

A recente implementação da duplicata eletrônica, por exemplo, é um desses movimentos silenciosos que alteram profundamente o mercado de crédito no Brasil. Enquanto alguns veem apenas mais uma adequação burocrática, outros já percebem o potencial de destravar capital, reduzir riscos e criar vantagem competitiva. 

A pergunta estratégica é simples: A sua empresa está preparada para competir em um ambiente em que a transparência vira ativo e não uma obrigação? 

A duplicata escritural cria uma mudança estrutural no ecossistema de crédito ao tornar rastreável e verificável cada título emitido. 

No lugar de papéis dispersos, registros inconsistentes e risco de duplicidade, surge um sistema digital conectado à nota fiscal eletrônica, com supervisão do Banco Central. 

Como destacou a reportagem (hiperlink acima), “a hora chegou” para um mercado que há décadas convive com assimetrias de informação e fraudes. 

Essa é exatamente a fronteira onde governança corporativa e estratégia se encontram, onde menos incerteza significa menos custo de capital, mas apenas para quem estiver pronto para operar nesse novo ambiente.

Vemos aqui um exemplo concreto de como decisões legais reconfiguram incentivos e reposicionam players. 

Empresas que tratam conformidade apenas como “obrigação regulatória” tendem a reagir tarde, ajustando processos em ritmo lento e perdendo a chance de obter crédito mais barato ou linhas diferenciadas. 

Em contraste, organizações com governança madura enxergam rapidamente que transparência operacional, integridade da documentação e controles internos robustos aumentam sua credibilidade perante o sistema financeiro. 

Em um mercado onde cada ponto percentual no spread impacta diretamente o caixa e a competitividade, essa postura deixa de ser detalhe administrativo e vira uma vantagem estratégica.

Mais do que facilitar o acesso ao crédito, a duplicata eletrônica inaugura um novo padrão de demonstração de confiança. Para pequenas e médias empresas, tradicionalmente penalizadas por informações opacas e histórico limitado, trata-se de uma oportunidade rara, pois “o risco diminui, os spreads caem e a base de empresas atendidas aumenta”.

Mas essa oportunidade só se materializa quando processos internos são confiáveis o suficiente para dialogar com o novo sistema digital. Neste contexto, a governança é uma grande alavanca financeira.

Mudanças legais não são apenas ajustes normativos; são janelas de reposicionamento competitivo. 

Nos Conselhos e Diretorias, ambientes onde a confiança é fundamental, a governança deixa de ser um custo e passa a ser um capital.

Texto por: Marcos Leandro Pereira

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